Já aqui falámos, por mais do que uma vez, da escola da Leonor e da relação que temos com a mesma. E se o fizemos foi por uma razão muito particular: porque gostamos MESMO muito da escola que nos calhou em sorte e das pessoas que ela tem dentro.
Essa é, também, a razão pela qual a saída da escola acaba por demorar sempre uma eternidade. E essa é também a razão que nos permite afirmar que ela gosta mesmo muito da escola. Todos – ou quase todos – os dias são de felicidade. Sem dúvida.
Contudo, há dias mais especiais do que outros.
Foi o caso desta sexta-feira, o último dia de escola antes das férias.
Houve despedidas. Lágrimas no canto do olho da mãe e também da Inês (a fofinha da Educadora dos mais crescidos) e um pai que se deliciou a olhar para aquilo tudo e que, por essa mesma razão, resolveu escrever este texto.
Ter na escola uma família

O que se passa na escola da Leonor é precisamente isso.
Toda a gente (da directora à cozinheira, passando pelas educadoras e auxiliares, às pessoas do ATL, à senhora da limpeza…) a conhece.
Toda a gente se lembra do tempo em que ela era a menina mais pequenina da escola.
Importa lembrar que esta menina entrou para a Creche com pouco mais de 4 meses. Quando toda ela era mínima. Quando ainda nem sequer gatinhava. Quando mal comia outra coisa que não o leite materno. Quando a vida dela era de uma fragilidade tamanha que só o facto de a deixarmos ali era suficiente para nos esfrangalhar o coração e nos amassar a alma.
Mas o que gostava de destacar é que, de facto, quase três anos depois, a escola faz hoje parte da família.
Nunca saímos da escola sem conversar um pouco com as várias pessoas que por lá estão. A Ana sabe isto de cor e salteado, pois chega a levar 45 minutos entre o momento em que entra na escola, até ao apertar dos cintos na cadeira do carro.
Se a Escola faz parte da família, o mérito é todo da Ana
Digo-o sem quaisquer rodeios.
O mérito desta relação familiar e desta ligação tão próxima à escola é, todo ele, da Ana, que por ter hoje uma vida profissional com um horário mais flexível, pode dar à Leonor todo o tempo de que ela precisa para a chegada e para a saída da escola.
Este é, sem sombra de dúvida, um dos momentos emocionalmente mais exigentes na vida de uma criança.

E o melhor de tudo é que essa disponibilidade, essa flexibilidade tem sido tremendamente elogiada por várias pessoas na escola e fora dela.
Acima de tudo – e foi esse o motivo principal que levou a Ana a deixar a SIC – ela hoje consegue ter tempo.
Consegue não andar a correr constantemente, ou a apressá-la para tudo o que à escola diga respeito. E isso, isso tem benefícios consideráveis e que já são notórios, ao fim destes quinze meses. E não somos só nós a dizê-lo.
Depois há o facto de olharem para nós e procurarem algum sinal de alguma coisa que possa não estar bem para tentarem ajudar. É incrível. Nem nos nossos melhores sonhos acreditámos que teríamos uma filha destas e uma relação tão próxima com a escola.
Por isso, se isto não é ter na escola um prolongamento da família, não sei o que é.
Os amigos
Esta sexta-feira, dia 9 de Agosto, foi então o último dia de escola da Leonor antes das férias de Verão.
E, mesmo não tendo ela noção do que ali se passou, houve um momento de particular emoção, pelo menos aos meus olhos.
O Leo e um dos pares de gémeos da sala, o Márcio e o Jorge, vão sair daquela escola.
O que é que isto tem de relevante? Muito, digo eu.
O Leo, o Jorge e o Márcio estão com a Leonor desde a 1ª hora.
O Márcio, em particular, é o “melhor amigo” dela. Há quase 2 anos.
E agora… agora eles vão mudar de escola e ontem, nas escadas que dão acesso às salas, foi a última vez que se viram naquele contexto. E nem eles sabem desse facto. Nem eles. Nem ela.
Esta simplicidade mental que os protege é tão bonita de se ver. E há, mais do que qualquer outra coisa, uma garantia de que estamos, sem dúvida, no bom caminho.
O esforço que fazemos para ser os melhores pais que a Leonor podia ter é recompensado assim. E é tão bom.
Aos 3 anos a Nonô já tem amigos. Pois claro. E refere-se a eles assim.
Passou dos colegas para os amigos. E é sempre um exercício curioso perguntar-lhe quem são os amigos de quem ela é mais próxima e os de quem é menos próxima.
A noção que uma criança de três anos já tem do seu quadro de relações sociais é verdadeiramente inacreditável e inspiradora.
Perceber que eles sabem claramente identificar as pessoas de quem gostam mais e de quem gostam menos; que as relações (algumas) vão flutuando ao longo do tempo, mas que há outras que se mantêm inalteradas com o passar do mesmo é, na verdade, um privilégio incrível para quem gosta de olhar para isto das relações humanas desde tenra idade.
Mas como eu dizia… A Leonor vai perder um dos seus “companheiros” de brincadeira, um dos compinchas da sala, que saía muitas vezes em “sua defesa” e por quem tinha – e tem – um sentimento diferente dos demais, vai ser um desafio, mas a leveza com que passam por isso é tão boa de se ver que dá perfeitamente para fazer uma analogia com o que depois acontece quando crescemos e nos tornamos seres bem diferentes (muitas vezes para pior) do que éramos em crianças.
E é óbvio que vai manter outros amigos por perto, como o Tomás Marques (sim, eles usam os apelidos porque há meninos com o mesmo 1º nome), a Maria, a Eva, a Inês “pequenina” (termo que ela usa para distinguir quando fala da amiga ou da educadora Inês), mas o Márcio… o Márcio já não vai lá estar todos os dias.
Mas em Setembro veremos como corre e fazemos o follow-up.
As férias

Nas férias gostamos de não ter horas.
Gostamos de ser mais livres. De andar mais soltos. De tentar corresponder mais vezes aos seus desejos de requinte (isto soou tão Ferrero Rocher).
Enfim, achamos mesmo que as férias têm de servir para cortar com as rotinas de um ano inteiro que acabam por cansar cada um de nós de forma diferente.
Muitas vezes é nas férias que acabamos por acertar o passo, os três, na direcção certa. Daí ser tão importante que possamos permitir a nós mesmos este desacerto acertado que tão bem nos faz.
Se nos pedissem um conselho para as férias, acho que esse seria o primeiro da lista: desacertem-se! Ahhhh, e boas férias!
Concluindo
É um descanso ter na escola uma família, ter com a escola uma relação de amizade, de confiança, de segurança.
Não queremos sequer imaginar o que seria ter uma relação diferente com a escola. Ou uma relação em que não nos sentíssemos seguros, confiantes, contentes com o trabalho que é desenvolvido na mesma, descansados por saber que o nosso “bem” mais valioso está bem e feliz. Deve ser horrível ter de passar/viver algo assim.
Contudo, se há algo que aprendemos nestes quase 3 anos de convivência é que é fundamental respeitar quem lá trabalha e que ganhamos muito se soubermos ouvir e quisermos participar das decisões, dos planos, das escolhas.
Todos ganham, em especial quem mais interessa, eles, que crescem de forma muito mais saudável e muito mais felizes.



